PHDA – Não é “só” um problema infantil

Têm-se escrito e dito muito sobre a PHDA na infância, como se fosse o maior problema dos PHDA.

Não é.

O que proponho é começar a falar da PHDA no adulto, jovem, menos jovem ou idoso porque a PHDA é para toda a vida.

Se na infância a Hiperactividade é um problema sério, deixa de ser o principal a partir dos 11 ou 12 anos na esmagadora maioria dos casos. Se bem que alguns adultos ainda mantenham a Hiperactividade ao longo da vida, o problema sério que enfrentam é com o Défice de Atenção que os tortura diariamente em todos os aspectos da sua vida.

Alguns estarão cientes que a primeira geração que foi “tratada” como PHDA em Portugal, está agora a atingir a idade adulta. Sim, bem sei que antes destes muitos outros foram “tratados” mas não de forma tão sistemática e generalizada. Esta geração, dos nascidos em 1994-1995, hoje com 18 ou 19 anos, foi das primeiras em que o diagnóstico foi, por um lado aceite e entendido e por outro iniciou a terapia farmacológica na idade escolar.

Será fácil comprovar em quantos destes jovens os sintomas de Hiperactividade se reduziram ou até desapareceram (de vista, não de facto) e em quais se mantêm, porventura exacerbados, os sintomas do Défice de Atenção. Se calhar, valia a pena fazer esse estudo.

Os problemas causado pela PHDA, no seu conjunto, vão afectá-los na vida profissional, na vida social, nos seus relacionamentos, no seu comportamento social.

São impulsivos. Estão sempre atrasados. São desorganizados (por mais esforço que façam). Têm dificuldade de medir os riscos, assumindo comportamentos e hábitos arriscados sem sequer se aperceberem. Necessitam de contínua motivação externa. São desistentes compulsivos. Gastam em excesso em inutilidades. Se deixados sozinhos frequentemente se esquecerão de comer ou de realizar tarefas menores. São incapazes de interromper uma actividade que lhes agrade de forma voluntária.

Um dos graves riscos para um jovem adulto com PHDA é a inconsistência dos padrões de sono. Alguns irão ao extremo de deixar de dormir, passando a fazê-lo apenas por exaustão. Outro grave risco são as depressões e o stress. Não têm defesas para nenhum dos dois.

Por tudo isto, acho que apesar de ser importante e necessário falar da PHDA Infantil, está mais que na altura de começar a falar da PHDA Adulta. Encorajo-vos seriamente a iniciar essa conversa.

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