PHDA, proposta de método

E se um PHDA dissesse umas coisas sobre o que acha que devia ser a maneira de lidar com o assunto?

Se tomarmos em linha de conta que estas medicações que damos aos nossos hipers, são basicamente estimulantes muito fortes, o que lhes potencia o esforço que conseguem dedicar a tarefas que exigem concentração, conseguimos perceber aquilo que lhes faz falta.

O que eles precisam é:

1-Motivação (qualquer PHDA motivado consegue focar-se)
2-Treino (se não lhes retirarem estímulos mas os ensinarem a trabalhar com eles e apesar deles, eles conseguem tudo)
3-Paciência (Inicialmente vão falhar mais vezes que as que acertam, mas conforme vão aprendendo a usar o que têm, os êxitos são mais frequentes)
4-Reforço (nunca parar de elogiar o que fazem, o próprio esforço deve ser recompensado de forma justa)
5-Realismo (estabelecer metas que estejam dentro do seu alcance de forma a potenciar a sua auto-estima e o valor do reforço)

Se isto for feito desde que a PHDA é identificada, a maioria dos sintomas são controláveis.

A agitação motora, nada mais é que uma expressão de frustração. A atenção não é um problema, o problema é ensiná-los a perceber como atribuir relevância às coisas certas. A impulsividade vai permanecer muitos anos, eventualmente toda a vida, levando a tomadas de decisão sem ponderação de riscos, isto pode ser ajudado utilizando jogos de vídeo, explicando-lhes porque falharam, porque é que aquela decisão lhes custou a vitória.

O ideal seria dar-lhes espaço para demonstrar a frustração, e em seguida mudar de actividade, claro que isto é muito difícil de fazer na escola em que há um plano de aula para cumprir que é uniforme. Nós, PHDA’s não cabemos nos uniformes, não é para nós. Somos capazes de aprender, mais depressa, sem dificuldades, se o método de trabalho for tudo menos rígido e adaptando-se ao nosso ritmo. Quando algo nos corre mal, entramos em modo frustrado, leva a agitação (motora ou emocional) que torna os nossos esforços completamente fúteis. Por assim dizer, quanto mais insistimos mais falhamos e vice versa num círculo esgotante. O ideal é mudar de tarefa, deixar aquela de lado, voltar a ela quando a calma tiver voltado.

Estas idiossincrasias são o oposto dos não PHDA. Não é fácil de ser implementado numa turma mista.

Por exemplo, as repetições de tarefas. Como a tabuada, as letras, etc… NUNCA, entendam bem, NUNCA, vão funcionar com um PHDA. Medicado ou não. NUNCA. Para os outros, sim, é a forma mais fácil de decorar. Para um PHDA é apenas uma fonte de frustração, nunca vamos memorizar por repetição.

Solução? Fazer exercícios que ajudem a perceber porque é que 3×3=9, porque depois de percebermos, nunca mais esquecemos. Sim, pode demorar mais um bocadinho a fazer as contas, porque as vamos fazer naquele momento, não estão decoradas, mas chegamos lá. E com o tempo, essa ginástica mental acelera o processo, de tal forma que fazemos cálculos mentais complexos sem sequer darmos conta. Desde que não nos coloquem perante “axiomas” inexplicados.

Sim, somos diferentes, nem melhores nem piores. Somos capazes das mesmas coisas, desde que nos respeitem como somos. Se não nos respeitarem, o mais comum é desistirmos. E vamos andando por aí a ver passar os comboios até que deixem de nos moer a pinha.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s