O silêncio do “gado” sobre a #pl118

Nos últimos dias tenho escrito e escrito sobre a #pl118. Ainda assim e apesar dos muitos e excelentes posts que andam por essa blogosfera fora (aqui compilados pela Jonas) noto que muita gente ou não se apercebe do que se passa, ou nem sequer quer saber.

Acho isso perturbador. Não surpreendente, convenhamos, porque todos sabemos como é pouco activa a generalidade da população portuguesa. Mas, numa altura em que a esmagadora maioria passou este Domingo de Inverno em casa, tantos e tantos na Internet (leia-se Facebook) não tenham reparado, ou atingido que isto lhes diz respeito, é perturbador.

Provavelmente se esta palhaçada for para a frente, quando precisarem de um cartão de memória, de uma pen, de um disco externo ou de umas fotocópias, e pagarem o novo preço, nem sequer vão reparar que estão a pagar uma taxa exorbitante (+IVA), vão assumir que é esse o preço, e pagam. Se calhar é mesmo isso que os proponentes desta macacada estão a contar que aconteça. A abstração da população portuguesa é tal que nada disto lhes parece tocar. Corta-se os subsídios de Férias e de Natal, refilam meia dúzia de dias e depois, seguem em frente, como se nada se tivesse passado. Voltam para os posts (leia-se Spam) de correntes no Facebook, para as suas quintas e demais passatempos e alienações preferidas. Discutem a Casa dos Degredos e os (dizem) implantes, ou falam das novelas e das customeiras inutilidades futeboleiras e … mais nada. É consfrangedor ver esta “manada de gado” a ser engordada com manchetes ditas “desportivas” ou das revistas “cor-de-rosa”, encaminhada inexoravelmente para a diária “ordenha” sem qualquer tipo de percepção do que lhes está a acontecer ou sequer um esboço de reacção (qualquer que ela fosse).

O alcance desta proposta iníqua de enriquecimento legalizado de uma sociedade parasitária da cultura e da sociedade, não lhes toca. Não é percebida ou sequer apercebida. A imposição de pagar uma taxa sobre um Direito atribuído a todos nós no âmbito da concessão de um monopólio sobre TODA a actividade cultural, um dos poucos direitos que supostamente equilibram essa legislação, não merece da maioria dos Portugueses um reparo, um erguer de sobrancelhas, um comentário derrogativo. Nem isso. O circo de antanho está agora nos Facebooks, jornais desportivos e revistas de “sociedade”.

Não é de estranhar, quando percebemos que para a maioria, quase diria, esmagadora maioria, livros, são aquelas coisas que se compram para a escola. Cultura é entendida como coisa chata, a evitar a todo o custo. Sim, mesmo entre a geração com maior percentagem de “Licenciados” de sempre na História de Portugal. Creio mesmo que esses são os piores de todos. Pois após anos e anos de “educação” e de desperdício de recursos, tanto da sua família como do Estado, continuam a encarar o “Conhecimento” e a “Cultura” como algo que lhes é estranho e externo. Continuam a aceitar e a querer ser mais um na “manada de gado” que alimenta as “ordenhas” diárias. Acéfalos por opção, cegos por escolha, alienados por intenção, assim vamos vivendo.

A todos eles, se porventura alguma vez se dessem ao trabalho de ler isto (lol) gostaria de dizer que a única coisa que está ao vosso alcance mudar, é a vossa atitude em relação às coisas. Se virem uma injustiça, refilem. Se virem uma proposta de lei ridícula (esta ou outras), reclamem. Se virem os que supostamente foram eleitos para defender os nossos direitos a tratarem é da vidinha deles, chamem-nos à razão.

Reclamem, envolvam-se, participem, tenham voz e opiniões (mesmo que eu não goste delas), gritem, ralhem, indignem-se porra.

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