Não faltava mais nada.

Uns quantos comentários sobre a famigerada #pl118.

Não sou político, não sou sequer politizado ou pretendo ser.

Não me interessa de quem foi a ideia desta badalhoquice.

Vamos lá a isto…

Compensações:

Mas anda tudo doido? Compensar o quê? Pelos vistos, pretende-se compensar os “autores” ou os seus “donos” pelo facto de não saberem em que século estão, de não se conseguirem adaptar, de procurar regredir no tempo e fazer parar os avanços tecnológicos e as mudanças de mentalidade e de hábitos de consumo.

Pelos vistos, essa parvoíce compensacional é consensual e encontra muita carneiragem pelos que serão chamados a “compensar” os retrógrados que continuam a viver num qualquer idílio analógico.

Para ser claro, não há qualquer razão para os compensar seja do que for. Se há quem faça downloads de obras deles, é porque há interesse neles, tratem de encontrar uma maneira de transformar esse interesse em lucro. Aquilo a que gostam de chamar “pirataria” não é mais do que uma falha de marketing. Ou seja, há pessoas interessadas na obra, mas que não gostam do preço, do DRM, das dificuldades de obtenção, de formatos anacrónicos ou de atrasos incompreensíveis de distribuição. Entendam de uma vez por todas, quando há procura e não há oferta na qualidade desejada, vai sempre haver quem forneça. SEMPRE. Se não são os legítimos, é culpa deles.

Compensar quem não quer evoluir, é subsidiar a ignorância.

Legalizar a Cópia Privada:

Isto então até me faz trepar paredes. Primeiro, é o ataque irrazoável ao Domínio Público com a colocação de DRM em obras centenárias. Segundo, a extensão dos prazos de Direitos de Autor até sei lá quantos anos depois da morte do autor (para que precisa ele de Direitos se já morreu??????). Terceiro, a alienação prevista nesta parvoíce de reter direitos sobre obras colocadas à disposição do público com licenças Creative Commons, mas, recusando a autores que usem essa licença o acesso aos respectivos direitos que forem cobrados sobre as suas obras. E por aí adiante…

Querem legalizar o meu direito de copiar para outros aparelhos as obras que adquirir, mas, SÓ se não tiverem DRM. Devo andar distraído, muito distraído mesmo, porque a meu ver, as obras que não têm DRM, não têm também restrições sobre a cópia para outros dispositivos. Ou seja, querem legalizar as cópias que já são legais. Ou seja, vamos todos pagar uma taxa pelo direito de fazermos o que nos apetecer com as obras que não têm restrições. Mas, isto faz algum sentido? Anda tudo doido ou querem por-me doido a mim?

Se não tem DRM, vocês não têm NADA a ver com o que eu faço com o que comprei.

No que tem DRM, o pagamento desta taxa não altera rigorosamente nada. Continuamos impedidos de fazer seja o que for com o produto que não seja o que os “autores” permitem. Ou seja, vão-se catar. Pagas e não bufas.

 

O que me dão em troca:

tl:dr: NADA.

Entendo eu, que sou semi-ignorante, que quando se paga uma coisa, recebemos algo em troca. Se não, é uma doação. Por outras palavras, é uma esmola.

Neste caso, em que me querem fazer pagar uma taxa absurda pela utilização de dispositivos electrónicos de uso genérico, não me querem dar em troca rigorosamente NADA. Não fico com mais direitos que os que tinha. Não fico protegido de forma nenhuma. Não tenho acessos priviligiados. Nem descontos. NADA. Nem sequer o direito de cobrar essa taxa se revender os dispositivos em 2ª mão.

Calha ao caso que eu não conheço ( nem pretendo) esses pedintes que se vão fazer às minhas esmolas, porque de esmolas se tratam. Nem sequer me conseguem vender o sentimento de ter feito alguém feliz com meia dúzia de trocos atirados para uma lata no chão. Não vendem sequer isso, porque eu nem os vejo (ainda bem). Não vendem porque a única coisa que me fazem sentir é desprezo, ao contrário dos pedintes na rua que conseguem fazer-me sentir humano por os poder mesmo que minimamente ajudar. Desprezo-os porque numa altura em que todas as áreas da cultura estão em crescimento, em que há maior produção musical do que alguma vez houve na história da humanidade, em que a produção literária é superior a qualquer outra época da história, necessitam de recorrer a esmolas para se manterem visíveis. Desprezo-os porque pretendem ser subsidiados pela sua incapacidade de adaptação a uma mudança de paradigma. Atenção, refiro-me, apenas e SÓ aos chupistas intermediários e nunca JAMAIS aos verdadeiros produtores de arte.

Só há um problema nisto tudo. É que para esmola, que o é, esta treta é demasiado puxada. Opá, uns trocos e tal, ter de abdicar de um café de vez em quando para dar de esmola a um desgraçado que teve menos sorte que eu, tudo bem. Mas, exigirem-me valores absurdos destes de esmola porque não querem evoluir, desculpem, mas vão lá fora ver se chove.

 

Para terminar este longo arrazoado, fica-me a esperança que percebam de uma vez por todas que o que precisam de fazer é de se adaptarem às novas formas de consumir arte. Entricheirarem-se na subsidiação coerciva é exactamente o oposto do que deveriam estar a fazer.

Em vez de se dedicarem a encontrar papalvos que vos paguem o jantar, talvez fosse melhor dedicarem-se a encontrar formas de o MERECER.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s