Jovialidades festivas.

Estamos naquela altura do ano em que somos amigos de toda a gente, simpáticos para toda a gente. Damos com facilidade sorrisos a torto e a direito, desejamos a pessoas praticamente desconhecidas votos de boas festas e quejandos.

Fazemo-lo por hábito? Por calendário?

Não sei se não haverá uma resposta por cada pessoa, sei apenas que na maioria dos casos, esses votos que recebo, soam-me a oco, a vazio, fazem eco nos abismos que me separam da grande parte dessas pessoas, dos quais não sei nada, muitas vezes nem sequer o nome.

Entendo que da parte dessas pessoas, as tais que me desejam votos de boas festas porque está na altura do ano de o fazer, não há malícia implícita, pelo menos escolho entendê-lo dessa forma, a alternativa só me faz pensar em tomar banho.

Há, como em quase tudo, excepções, há pessoas que o fazem com uma alegria e uma efusividade que me faz pensar que apesar de ser uma acção de calendário, essas, poucas, excepções, realmente têm a intenção de me transmitir alguma alegria e felicidade apesar de não me conhecerem de lado nenhum, e de lhes ser totalmente indiferente o meu estado de espírito presente e futuro. Pelo que me dão a parecer, posso claro estar completamente enganado, dão com alegria umas gotas de felicidade, pelo simples e único motivo de se sentirem bem a fazê-lo.

Poderia tentar analisar os motivos de uns e de outros, tentar de alguma forma chegar a algum tipo de explicação para esses actos.

Mas, prefiro tentar perceber porque é que eu sinto tanta relutância em embarcar nestas práticas. Não tenho nenhuma dificuldade em perceber os mecanismos sociais que ditam e regem este tipo de comportamentos. Não me custa nada entender porque são esperados e aceites. Só não está bem claro porque sinto relutância em iniciar esse tipo de trivialidade. Claro que quando sou o receptor, respondo com facilidade e tento o meu melhor para parecer e ser sincero. Mas, a estranhos, ou quase, custa-me muito recordar-me sequer de iniciar essas trocas de votos, e mesmo quando até me passa pela cabeça fazê-lo, evito.

Isto, trivial que é, todos os anos me incomoda, porque funciona como um lembrete calendarizado de que há alguma coisa fundamentalmente diferente entre mim e a generalidade da população.

 

Fica aqui uma tentativa de pedido de desculpas a essa legião de estranhos a quem eu evito ou me esqueço de desejar os votos da época, Feliz Natal, Boas Festas, Bom Ano, etc… e ficam aqui para todos vocês que os queiram ou não ler, com toda a sinceridade de que sou capaz os votos de que sejam felizes, não porque está no calendário, mas por todos os dias de todos os anos, porque toda a gente merece e consegue ser FELIZ, seja lá o que for que lhe proporcione isso.

 

Por isso, apesar de não ser algo que eu faça por hábito ou convenção, em resposta a todos os que se dão ao trabalho de me desejar as jovialidades festivas da época com maiores e menores graus de sinceridade, ficam os meus votos sinceríssimos de que sejam felizes.

🙂

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